Família

Família

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Anelídeos - Aulas - 6ª série

Fonte: Internet



Compreendendo os Anelídeos



A nossa atividade de hoje é muito legal!
Quem não se lembra do macarrão com minhoca que foi servido no programa “No Limite”?

Pois então, a nossa tarefa de hoje é estudar um pouco mais sobre esses animais tão importantes para o ser humano e para a natureza: os anelídeos, mais carinhosamente chamado de “minhoca”.

Antes da nossa atividade, que tal estudar um pouco sobre esses invertebrados?

Depois, vamos ver o que temos pela frente... Quem sabe um banquete de minhocas com macarrão.
:o)

Anelídeo é o nome dado a cerca de 9.000 espécies de invertebrados vermiformes com o corpo segmentado e com simetria bilateral.

Quanto à classificação científica, formam o filo Annelida, sendo divididos ainda em 3 classes: Polychaeta, Hirudinea e Oligochaeta

Agora, vamos ver quais as características de cada classe:

Políquetos

São animais de hábito marinho, possuem variadas formas e muitas cerdas. Possuem sexos separados, formando larvas durante seu ciclo de vida (desenvolvimento indireto).
Alguns poliquetas fixos secretam uma substância calcária, que forma um tubo onde escondem-se de predadores. Para respirar e se alimentar, utilizam-se de brânquias em forma de "penacho" para trocas gasosas e, também, capturar alimentos. Os de hábito livre, possuem cabeça diferenciada com olhos e tentáculos.

Hirudíneos

Seus representantes não possuem cerdas recobrindo o corpo e são hematófagos, tendo como exemplo principal as sanguessugas. O habitat, em sua maioria, é aquático, mas existem também representantes terrestres. Antigamente eram utilizados na medicina para diversos fins por apresentarem ventosas que se fixam à pele e também substâncias anestésicas e anticoagulante.

Oligoquetas

São representados pelas minhocas, animais de hábito terrestre. São cilíndricos e com anéis por todo corpo. Na parte anterior (primeiro anel), encontra-se a boca e o clitelo (região alargada), que possui papel importante na reprodução. Estruturas sensitivas estão presentes na parte anterior e posterior, permitindo a distinção entre claro e escuro. A locomoção é feita través de cerdas presentes em todo corpo. A respiração é realizada através da pele que permanece úmida para facilitar as trocas gasosas.

As minhocas são hermafroditas, mas não ocorre autofecundação. Para a reprodução, duas minhocas unem a região do clitelo (onde ficamos poros genitais) e trocam espermatozóides. Após a fecundação dos óvulos, os zigotos são lançados ao solo no interior de uma cápsula, apresentando desenvolvimento direto.

Observe a estrutura interna de uma minhoca:


Este material é parte integrante da Enciclopédia Encarta e tem sua utilização autorizada pela Microsoft.

Vamos estudar, agora, especificamente as minhocas (oligoquetos) para constatar a importância desses organismos para o meio ambiente:

As minhocas perfuram a terra por onde passam, permitindo a entrada do Oxigênio para a respiração das raízes. Também afofam a terra para as raízes crescerem mais facilmente.

Durante o percurso, as minhocas liberam uma cola cimentante para garantir a estrutura da galeria e por onde circulam ar e água.
Agora, vamos trabalhar com alguns tópicos importantes respondendo a este Estudo Dirigido:

  1. Quais as principais características dos anelídeos?
  2. Como podemos explicar o processo de autofecundação das minhocas?
  3. Pelo que você já observou e estudou hoje, como poderia explicar a locomoção das minhocas?
  4. Você acha que a minhoca é importante para a agricultura? Por quê?
  5. Quanto à presença de cerdas, como se classificam os anelídeos?




Professor, que tal preparar uma aula prática sobre anelídeos?

Leve exemplares de diversos anelídeos para a sala de aula e ressalte as diferenças morfológicas entre eles.

Em seguida, organize os alunos em grupos e distribua cada um deles com o objetivo de fazer uma dissecação e posterior apresentação do animal estudado.

Para apresentação, os alunos podem tirar fotos da aula prática e montar um painel com o material de pesquisa.

Bom trabalho!!!





VERMES ANELIDEOS

PROJETO RECRIANDO O SABER
Professora Marlene Lima – Disciplina > Biologia

SEMINÁRIOS SOBRE OS ANIMAIS INVERTEBRADOS


FORMA DE APRESENTAÇÃO > PEÇA TEATRAL
EQUIPE: Bruna Beatriz, André Inácio, Alexsandra Maria, Jonas Santos, José Lucas.

TEMA > Vermes Anelideos
Cenário - Em uma sala de aula encontram-se dois jovens conversando:
PEDRO > Como é que vai ser ? Você está preparando para a prova oral de biologia ?
GUILHERME > É eu estudei bastante mas esse negócu=io de minhoca num é comigo não.
PEDRO > é Anelídeos, se Suelen te perguntar a definição de anelídeo, o que você vai responder ?
GUILHERME > Isso eu sei. São vermes que possuem o corpo cilíndrico, mole e segmentado e o mais interessante é que eles possuem o corpo dividido em anéis.
PEDRO > Sabia que a minhoca não é o único anelídeo conhecido pela população. Também tem a sanguessuga.
Entra na sala Luana.
LUANA > Eu não deixei de escutar o que vocês estavam conversando. Outro dia eu vi algumas reportagens numa revista sobre sanguesugas.
PEDRO > Foi ? Fale mais sobre o que você sabe.
LUANA > Antigamente as sanguessugas eram usadas na medicina para retirar o sangue acumulado ao redor de hematomas e para provocar sangria em pessoas com pressão arterial elevada.
GUILHERME > Eu já ouvi falar na TV que as sanguessugas utilizam as ventosas para se fixar e perfurar a pele do animal parasitado, sem que sinta dor.
LUANA > Ele consegue sugar o sangue, que não coagula por conta de uma substância secretada das glândulas salivares que tem efeito anticoagulante.
PEDRO > Como se chama essa substância ?
LUANA > Hirudina.
GUILHERME > É pessoal a conversa tá muito boa mais daqui a pouco vai começar a aula e agente ainda nem foi falar com a diretora sobre aquele lance do grêmio estudantil.
LUANA > Vamos lá agora.
PEDRO > Vamos.
Alguns instantes depois deles desocuparem a sala, chegam Kleber e Fernando.
FERNANDO > Kleber eu to super grilado com essa parada de prova oral e você ?
KLEBER > tô super tranqüilo , eu já sei de tudo, v^só, as minhocas são Poliquetas.
FERNANDO > menino você pirou ? Não, Não, as minhocas são Oligoquetas.
KLEBER > O que é isso ?
FERNANDO > Você num viu quando Suelen explicou que Anelídeo são divididos em tr~es classes: Hirudíneos, Poliquetas e Oligoquetas.
KLEBER > Há lembrei, Hirudíneos são aqueles que não têm cerdas, os Poliquetas possuem muitas cerdas e..
FERNANDO > Oligoquetas os que possuem poucas cerdas.
KLEBER > o QUE É RESPIRAÇÃO BRANQUIAL ?
Fernando > é uma característica dos Poliquetas.
KLEBER > Já as minhocas possui uma respiração cutânea quer dizer ela respira pela pele.
FERNANDO > Os Anelídeos são os primeiros animais a possuírem um sistema respiratório fechado ou seja, o sangue deles possuem um pigmento chamado hemoglobina dissolvido que circula apenas dentro de vasos sanbgüineos.
KLEBER > Pra quem não entende nada até que você ta bem informado.

Então chega o resto do pessoal.
LUANA > Gente Suelen chegou bôra, bôra, vamos todos nos seus lugares.
Então entra a professora.
SUELEN > Boa tarde !
TODOS > Boa tarde professora.
SUELEN > Eu queria deixar bem claro que eu faço questão que todos saiam da sala hoje sem deixar nenhuma dúvida, sobre o assunto, okei !
LUANA > Suelen, a prova oral ainda está de pé ?
SUELEN > Sim, mas eu prefiro que debatam o asunto em sala, para que todos possam entender bem o assunto.
Todos guardam o material.
SUELEN > Os Anelídeos são agrupados em três classes: Poliquetas, Oligoquetas e Hirudíneos. Poliquetas possuem muitas cerdas, os Oligoquetas que possuem poucas cerdas e os Hirudíneos que por sua vez não possuem cerdas. A minhoca é Oligoquetas, eu gostaria de saber qual a importância da minhoca na agrigcultura ? Me explica Guilherme.
GUILHERME > As minhocas exerce uma função muito importante na agricultura, pois elas cavam túneis no solo e com isso, possibilitam a entrada de ar e água na terra.
SUELEN > O alimento juntamente com a terra é ingerido graças a sucção da faringe. Os Anelídeos tem sistema digestório completo. Da boca, o alimento chega a laringe curta, ligada a músculos que desemboca na moela, uma porção dilatada e musculosa do tubo digestivo. Suelen.
LUANA > A moela atua como um triturador, pois suas contrações moem o alimento contra as partículas de terra, quebrando em partes menores. A moela subastitui os dentes, enfim executando a digestão mecânica. Nos Oligoquetas existe uma dobra intestinal chamada tiflossole que serve para aumentar a superfície de absorção intestinal.
SUELEN > Fernando
FERNANDO > As trocas gasosas das minhocas e sanguessugas é feita pela superfície úmida do corpo. Já os Poliquetas apresentam brânquias implantadas no parapódios. Os Anelídeos possuem um par de finos tubos em cada segmento chamados nefrídios, que retiram as excreções do celoma e eliminam para fora do corpo, através de poros excretores. O principal produto é a amônia, que juntamente com as fezes fertilizam o solo.
SUELEN > Kleber é sua vez.
KLEBER > Os Anelídeos apresentam um par de gânglios cerebrais ligados a dois cordões nervosos ventrais, que se encontram unidos a um par de gânglios por segmento, de onde partem os nervos para os músculos e órgãos. Quando uma minhoca se encontra num ambiente seco ela movimenta-se até encontrar um ambiente úmido porque com a falta de umidade elas desidratam.
PEDRO > Mesmo entre hermafroditas ocorre a troca de espermatozóides. A fecundação cruzada, durante o desenvolvimento dessas espécies ocorre a formação de larva, no entanto, Poliquetas desenvolvem uma forma larval denominada larva trocóforo. De forma geral a fecundação dos Anelídeos é externa. No caso das minhocas, a atividade reprodutiva ocorre durante a maior parte do ano. Com o tempo quente e úmido a reprodução é mais intensa.
SUELEN > Bom, agora eu vou explicar para vocês esses cartazes aqui.(...)
SUELEN > Estão liberados. Tschau. Até a próxima aula.

Todos saem da sala





O regresso da sanguessuga

Cirurgiões plásticos redescobrem os anelídeos das sangrias com ventosas.

As sanguessugas, estio de volta à medicina. Os feios anelídeos das sangrias com ventosas, do tempo dos nossos avós, foram redescobertos pe loscirurgiõesplásticosdos nossosdias. que os encaram como um precioso auxiliada sua actividade.
A bizarra história de John Winter, um piloto da força aérea americana com 37 anos de idade, ilusuaa insólita redescoberta. Winter estava a fazer flexões na sua base em Fairfax, na Virgínia, quando a sua aliança de Casamento ficou presa num prego no soalho em que estava a ginasticar-se. Ao levantar-se, o dedo desprendeu-se da mão. Em menos de unia hora, os serviços de urgência de Fairfax, contactaram Bruce Freedman.



Um cirurgião plástico especialista na reconstnição de mãos, que se baptizou a si próprio como ni das sanguessugas da Virgínia do Norte..
Seis horas mais tarde, a operação tinha terminado, e o dedo do piloto fora recolocado com aparente sucesso.

Só 36 horas depois é que as coisas se complicaram: o dedo adquiriu uma cor pdrpura, entendida como um mau presságio por parte dos médicos. Pies sa altura, o doutor Freedman não este ve com meias medidas, e decidiu re correr à utilização dos seus auxiliares clínicos de estimaçâo, as sanguessugas.

As estafisticas revelam que, no últi mo ano, mais de cinco mil americanos sujeitos a transplantes foram «medi ca4 sanguessugas no período pós-operatório. A reconstrução de um dedo custa cerca de 20 mil dólares e o sucesso da operação pode estar com prometido se não forem aplicadas san guessugas, um animal cujo preço ron ‘da os mil escudos. As sanguessugas sugam o sangue tumefacto (resultante da dificuldadede restabelecimento das ligaçaes entre os vasos capilares) e facilitam a oxigenaçio da zona ad denSa, permitindo um mais eficaz reconhecimento dos tecidos reconstruidos.

O dedo de John Winter recuperou a cor normal, dez minutos após a aplica ção da primeira sanguessuga esfome ada. O piloto pennaneceu uma sema na no hospital e foi incumbido de zelar pelo seu Datamento, que se traduzia numa refeição de luxo para os bichi nhos famintos. Winter fazia trés aplicações diárias de sanguessugas, de 20 minutos cada.

As sanguessugas aumentavam de volume com a farta refeição e, depois disso, pareciam querer dormir. Já em plena forma, Winler agradeceu a ajuda dos seus amigos anelídeos e, à saída do hospital, reconheceu que as sanguessugas fizeram um bom trabalho.
Proveniência da informação: Expresso, 18 de Março de 1995





Artrópodes - 6ª série - Texto


Filo dos Artrópodes
Contém a maioria dos animais conhecidos, aproximadamente 1.000.000 de espécies, sendo muitas delas extremamente abundantes em número de indivíduos. O filo é um dos mais importante ecologicamente, pois domina os ecossistemas terrestres e aquáticos em número de espécies ou indivíduos ou em ambos. O corpo é segmentado externamente em graus diversos e as extremidades pares são articuladas, sendo diferentes em forma e função. São revestidos por um exoesqueleto de quitina. Seu sistema nervoso, olhos e outros órgãos sensitivos são proporcionalmente grandes e bem desenvolvidos. Este é o único grande filo de invertebrados com membros adaptados à vida terrestre, independente de ambientes úmidos, além de que os insetos são os únicos invertebrados capazes de voar. As diversas espécies são adaptadas a vida no ar, na terra, no solo e em água doce, salobra e salgada. Sua simetria é bilateral, apresentam sistema circulatório lacunar, respiram por brânquias, traquéias, pulmões ou pela superfície do corpo. Têm glândulas especiais de excreção e sistema nervoso com gânglios dorsais. Os sexos são geralmente separados em macho e fêmea e a fecundação é geralmente interna, podem ser ovíparos e ovovivíparos, geralmente apresentam estágio de larva e sofrem metamorfose. A maioria dos zoólogos acredita que os artrópodos provavelmente surgiram de algum grupo primitivo de poliquetos. Há cinco principais classes de artrópodes, que estudaremos em seguida.

Insetos:

Maior classe dos artrópodes com mais de 700 mil espécies. Apresentam um esqueleto externo (exoesqueleto) de quitina, sofrem muda (troca de esqueleto) conforme o crescimento, tem o corpo dividido em: cabeça, tórax e abdome e ainda 6 patas. Possuem um par de antenas, há dois pares de asas, mas espécies com um par ou ainda sem asas. Sofrem metamorfose, após a cópula e a fecundação, a fêmea deposita os ovos que se transformam em larvas, depois em pupas e no final na forma adulta do inseto.  Sua respiração é traqueal, sendo esta ramificada pelo corpo. Seu aparelho circulatório é lacunoso (coração e câmaras). Seu aparelho bucal pode ser mastigador ou triturador, sugador, picador e lambedor. Eles têm grande importância ecológica e podem estar relacionados com a transmissão de doenças. Exemplos de insetos: pulga, mosca, barata, borboleta, abelha, besouro, formiga e pernilongo.

Aracnídeos:

São artrópodes quelicerados e com um par de palpos. Seu corpo é dividido em cefalotórax e abdome, além dos 4 pares de pernas.  Não apresentam asas e antenas. Seu desenvolvimento é direto, a maioria é peçonhenta e alguns são parasitas.  Sua respiração é filotraqueal.   São exemplos de aracnídeos: as aranhas, os escorpiões e os ácaros.

Crustáceos:

São artrópodes geralmente aquáticos. Apresentam o corpo dividido em cefalotórax e abdome, este fica protegido por uma crosta de quitina e calcário que forma o exoesqueleto. Os microcrustáceos são de grande importância ecológica, pois formam o plâncton.  Apresentam dois pares de antenas e vários pares de pernas, sendo algumas modificadas em forma de remos (birremes). Sofrem metamorfose, pois as fêmeas depositam seus ovos após a fecundação que irão se transformar em larvas e mudar até atingir a fase adulta. São exemplos de crustáceos: paguro, camarão, lagosta, lepa, siri e caranguejo.

Diplópodes e Quilópodes:

São animais de corpo alongado e segmentado, isto é, dividido em segmentos ou anéis.  Apresentam vários pares de patas e um par de antenas. Os quilópodes apresentam um par de patas por anel ou segmento, são animais mais velozes e apresentam forcípulas, um exemplo é a lacraia. Os diplópodes apresentam dois pares de pata por anel ou segmento, sua antena é menor e conseguem se enrolar, um exemplo é o piolho de cobra.





















Artrópodes (Arthropoda)
O filo Arthropoda (Artrópodes) é um conjunto muito grande de animais, o maior grupo com espécies descritas. A enorme diversidade de adaptação destes animais permite que sobrevivam em todos os habitats. São animais que, como os anelídeos, apresentam metameria (corpo segmentado), embora em aracnídeos e crustáceos haja uma tendência de diminuição desta metameria e, em ácaros e caranguejos ela não existe. Compreende o grupo dos insetos, crustáceos, aracnídeos, quilópodes e diplópodes.

Apesar dos artrópodes competirem com o Homem por alimento e provocarem doenças, são essenciais para a polinização de muitas plantas e são também utilizados como alimento e para a produção de produtos como a seda, o mel e a cera (Hickman et al., 1997).
Exoesqueleto

Os artrópodes possuem um
exoesqueleto formado por quitina, que cobre o corpo todo. A cutícula é dividida em placas separadas, permitindo a movimentação do animal. Os esqueletos cuticulares, tanto do corpo como dos apêndices encontram-se unidos entre si por membranas articulares, formando uma articulação em cada união, daí o nome artrópodes, que significa pés articulados.

O esqueleto é secretado pela hipoderme, que é a camada tegumentar subjacente. Nos crustáceos ocorre uma deposição do carbonato de cálcio e fosfato de cálcio na formação do exoesqueleto. Normalmente a cutícula é dotada de poros (canais) por onde passam secreções glandulares.

O exoesqueleto apresenta um problema para o crescimento do animal, e a solução disto é ele se livrar deste exoesqueleto para que possa crescer. Este processo é chamado de muda ou ecdise. O animal se desprende do esqueleto antigo e passa a secretar um novo, enquanto cresce, e para de crescer quando a cutícula endurece.

O tempo entre as mudas é chamado de instars. Quanto mais velho o animal, maior é a duração deste processo. As aranhas e os insetos têm um número quase definido de instars, geralmente tendo o último com a maturidade sexual. Já os caranguejos têm mudas por toda a vida. A muda é controlada por um hormônio chamado ecdisona.
Musculatura

Os artrópodes possuem uma musculatura do tipo estriada, que está fixada na parte interna do exoesqueleto. Os músculos e a cutícula trabalham em conjunto para produzir os movimentos, formando um sistema de alavancas. O sistema muscular dos artrópodes é muito parecido com o dos vertebrados, diferindo na posição de fixação dos músculos, que nos artrópodes são fixos na parede interna do exoesqueleto, enquanto nos vertebrados são fixos na parte externa do endoesqueleto. E os músculos dos artrópodes possuem bem menos fibras e menos inervações neuronais.
Circulação

O coração dos artrópodes ocupa posição dorsal e é primitivamente tubular. A circulação é do tipo aberta. O coração varia em tamanho e posição nos diferentes grupos, mas em todos ele possui uma ou mais câmaras com aberturas laterais denominadas óstios. Do coração, o sangue é bombeado para os tecidos por meio de artérias e caem na hemocele, que banha os tecidos e depois volta por vários caminhos para o coração. Possuem hemocianina e hemoglobina como pigmentos respiratórios.
Respiração

A respiração ocorre através da superfície do corpo, de brânquias, de traquéias ou de pulmões laminares. A maioria dos artrópodes terrestres tem um sistema de traquéias altamente eficiente, que entrega o oxigênio diretamente aos tecidos, permitindo uma elevada taxa metabólica. Este sistema limita igualmente o tamanho destes seres vivos. Os artrópodes aquáticos respiram principalmente por um sistema de brânquias, igualmente eficiente (Hickman et al., 1997).
Digestão

Os intestinos anteriores e posteriores são formados a partir da ectoderme e são cobertos por cutícula. O intestino médio é formado pela endoderme. O intestino anterior é responsável pela ingestão, trituração e armazenamento de alimento. O médio é responsável pela produção de enzimas, digestão e absorção. E o posterior é responsável pela formação das fezes.

Sistema Nervoso e órgãos sensoriais

Os artrópodes possuem um alto grau de cefalização. Olhos, antenas e padrões complexos de comportamento exigiram destes animais um cérebro maior e mais desenvolvido. Os quelicerados não possuem antenas. O exoesqueleto de quitina forma uma barreira às terminações nervosas, então estes animais desenvolveram estruturas que driblaram esta barreira, como cerdas, pêlos e canais ou aberturas no exoesqueleto.

A maioria possui olhos, que variam em complexidade de acordo com a espécie. Enquanto uns são pequenos com alguns fotorreceptores, outros são grandes e formam imagens. Os insetos e vários crustáceos possuem olhos compostos, formados por omatídeos, unidades cilíndricas que recebem luz. A imagem final depende do número de omatídeos estimulados. Estes animais formam uma imagem em mosaico, pois as imagens formadas são como peças colocadas junto às outras. Esses olhos compostos são uma grande vantagem para detectar movimento, possuem um amplo campo visual, visto que a córnea destes animais é bem convexa. A córnea de um crustáceo possui um arco de 180o graus ou mais.
Reprodução

Os artrópodes são, em sua maioria, dióicos e muitos utilizam seus apêndices modificados para a cópula. A fecundação é interna nas formas terrestres, podendo ser externa nas aquáticas. O desenvolvimento pode ser direto ou indireto. A cópula e a fecundação variam muito de acordo com a espécie.

Esquema de um artrópode hipotético – modificado. (Fonte: livro “Invertebrates” – Richard C. Brusca/Gary J. Brusca – Sinauer Associates, Inc. – Sunderland, EUA – 1.990).


Referência:

Ruppert, E.E. & D.R. Barnes. 1996. Zoologia dos Invertebrados. São Paulo, Rocca, 6ª ed.


Artrópodes
Dentro do estudo dos invertebrados, o filo artrópodes merece atenção especial. Ele agrupa mais de 800 mil espécies, quantia que supera todos os demais filos reunidos. Além disso, merecem citação a grande diversidade dessas espécies; Sua boa adaptação a diferentes ambientes; as vantagens em competição com outras espécies; a excepcional capacidade reprodutora; a eficiência na execução de suas funções; a resistência a substâncias tóxicas e a sua perfeita reorganização social, caso das abelhas, formigas e cupins.
Os artrópodes são invertebrados que possuem patas articuladas, nome formado de Athros, que significa articulações, o podes que significa pés patas.

Os artrópodes tem uma carapaça protetora externa, que é o seu esqueleto, formada por uma substância resistente e impermeável, chamada quitina, endurecida por conter muito carbonato de cálcio.
Ao crescer, o artrópode abandonam o esqueleto velho, pequeno, e fabrica outro, maior. Esse fenômeno é chamado muda. Ela ocorre várias vezes para que o animal possa atingir o tamanho adulto.
Os artrópodes, no entanto, não possuem apenas patas articuladas, mas sim todas as suas e extremidades, como as antenas e as peças bucais. Os seus membros inferiores são formados por partes que se articulam, ou seja, que se movimentam umas em relação às outras: os seus pés se articulam com suas pernas, que se articulam também com suas coxas, que também se articulam com os ossos do quadril.
CLASSIFICAÇÃO DOS ARTRÓPODES:

Os artrópodes podem ser classificados em cinco classes principais, usando como critério o número de patas.
No de patas Classe Exemplos 6 Insetos Barata, mosquito 8 Aracnídeos Aranha, escorpião 10 Crustáceos Camarão, siri 1 par por segmento Quilópodes Lacraia 2 par por segmento Diplópodes Piolho de cobra INSETOS.
São artrópodes com seis patas distribuída em três partes. Os insetos apresenta o corpo subdividido cabeça, tórax e abdome. Possuem um par de antenas e três pares de patas no tórax. Nas maioria das espécies, há dois pares de asas, mas há espécies com apenas um par e outros sem asas.
O corpo dos insetos e formado por três regiões: cabeça, tórax e abdome. Na cabeça das insetos, podemos notar antenas, olhos e peças bucais.
As antenas são utilizadas para a orientação. Todos insetos tem um par de antenas. Os olhos os insetos possuem dois tipos de olhos:
- 2 olhos compostos, isto é, formados por várias unidades, que permite enxergar em várias direções ao mesmo tempo;
- 3 olhos simples, também conhecidos por ocelos.
Esse conjunto de olhos proporciona aos insetos uma excelente visão. Eles podem enxergar coisas que não são visíveis ao homem.
As peças bucais, todas dotadas de articulação, estão diretamente relacionadas com a alimentação. Assim, as peças bucais podem ser de vários tipos, conforme os hábitos alimentares dos insetos.
O tórax dos insetos é dividido em três partes; em cada uma delas prende-se um par de patas. É ainda no tórax que se prendem as asas, existentes na maioria dos insetos. Quando ao número de asas, existem 3 tipos de insetos: sem asas, com um par de asas e com dois pares de asas.
A Respiração dos insetos se dá através de traquéias, pequenos canais que ligam as células do interior do corpo com o meio ambiente. Ao longo de todo o corpo de um inseto podem ser ver os estimas, pequenas manhas onde se abrem as traquéias.

Os insetos são animais de sexos separados e ovíparos. Depois que os ovos são botados pelas fêmeas, eles se desenvolvem e forma um novo inseto. Alguns insetos tem desenvolvimento direto: do ovo nasce uma forma jovem, que já tem o aspecto do adulto, embora menor. É, por exemplo, o caso da traça. O desenvolvimento da mosca é indireto: ela nasce diferente do adulto, e passa por mudanças na forma do corpo, enquanto se transforma de recém-nascida em adulta. Dizemos que a mosca sofre metamorfose. Todas as formas que tem aspecto diferente do adulto chama-se larvas. Nem todos os insetos apresentam metamorfose, mas ela ocorre na maioria deles. Você já deve ter visto as lagartas das borboletas: elas são larvas que se transformarão em borboletas adultas.
A borboleta bota o ovo em uma folha, e desse ovo nasce uma lagarta, que é a primeira forma de larva desses insetos. Em seguida, a lagarta se transforma, passando por outras formas de larva, até originar a borboleta adulta.
Existem aproximadamente 800 mil espécies de insetos, distribuídas por mais de 30 ordens. Um dos critérios usados para a classificação dos insetos é o número e a forma das asas.
Ordem Características Exemplos Himenópteros asas parecidas com membranas-aqui se incluem insetos sem asas Formiga e Abelha Dípteros duas asas Mosca e Mosquito Coleópteros asas formando estojo Besouro Ortópteros asas retas, formando angulo reto com o corpo Barata e Gafanhoto Lepidópteros asas com escamas Borboleta e Mariposa.
O equilíbrio ecológico, em todo ecossistema, é mantido graças a uma série de relações, algumas positivas e outras negativas.

Uma relação altamente positiva é a que ocorre entre os insetos voadores e as flores. Para que as plantas se reproduzam há necessidade de que o grão de pólen de uma flor seja transportada até outra flor. Esse transporte chama-se polinização, e é realizado pelos insetos voadores e por vários outros agentes. O transporte do pólen, é realizado em grande parte pelos insetos, é de extrema importância na preservação de matas, florestas, jardins, pomares. É, enfim, essencial à preservação de numerosos ecossistemas. Um exemplo de relação negativa é o que ocorre entre o gafanhoto e as plantações. O gafanhoto é um predador voraz e vive em enormes bandos, capazes de destruir rapidamente plantações inteiras. Um outro inseto menos voraz é o bicho-da-seda, uma mariposa cujas larvas alimentam-se de folhas, principalmente de amoreiras.
Embora se alimente dessas folhas, as larvas do bicho-da-seda são muito úteis, pois produzem a seda, tão importante na industrialização de tecidos.

Os insetos trazem poucos benefícios diretos à saúde humana. A abelha, no entanto, é um exemplo de benefício direto, pois produz o mel, que usamos como alimento e possui ótimo valor nutritivo. A maior parte das relações diretas entre os insetos e o homem é nociva. Assim, por exemplo, muitas abelhas, que são tão úteis, são também venenosas, e seus venenos podem provocar forte dor e grande reação local. As picadas de abelha, no entanto, geralmente não causam grandes males.
O maior mal que os insetos causam a saúde humana é a transmissão de outros seres vivos, que causam doenças. É o caso, por exemplo, da mosca-doméstica, que pousa no lixo e em outros lugares contaminados e depois pousa nos nossos alimentos, trazendo sujeira e micróbios. Assim, ela pode causar diversas doenças, como a disenteria.
Outros exemplos de doenças transmitidas por insetos são a elefantíase, a malária, a febre amarela, a doença de chagas e o dengue.

Os poríferos - Avaliação - 6ª série


Avaliação de Ciências

Os Poríferos

Nome: ..................................................................................................... 6ª série

Assinale V ou F:

FRASES
V
F
  1. Os poríferos são animais aquáticos muito primitivos.


  1. Os poríferos possuem espículas.


  1. As esponjas são vertebrados.


  1. As esponjas são animais aquáticos completamente imóveis.


  1. Os poríferos não vivem em colônias.


  1. A água penetra nas esponjas pelos poros.


  1. A reprodução sexuada precisa do gameta feminino e do gameta masculino.


  1. As esponjas são capazes de regenerar a parte perdida do corpo.


  1. Os poríferos possuem uma cavidade central chamada átrio.


  1. A esponjina e a espícula são elementos que compões o esqueleto das esponjas.




Avaliação de Ciências

Os Poríferos

Nome: ........................................................................................ 6ª série

Assinale V ou F:

FRASES
V
F
  1. As esponjas são animais aquáticos completamente imóveis.


  1. Os poríferos não vivem em colônias.


  1. A água penetra nas esponjas pelos poros.


  1. A reprodução sexuada precisa do gameta feminino e do gameta masculino.


  1. As esponjas são capazes de regenerar a parte perdida do corpo.


  1. A esponjina e a espícula são elementos que compões o esqueleto das esponjas.


  1. As esponjas são vertebrados.


  1. Os poríferos são animais aquáticos muito primitivos.


  1. Os poríferos possuem espículas.


  1. Os poríferos possuem uma cavidade central chamada átrio.





Avaliação de Ciências

Os Poríferos

Nome: ............................................................................................. 6ª série

Assinale F ou V:

FRASES
F
V
A esponjina e a espícula são elementos que compões o esqueleto das esponjas.


As esponjas são vertebrados.


Os poríferos são animais aquáticos muito primitivos.


Os poríferos possuem espículas.


Os poríferos possuem uma cavidade central chamada átrio.


As esponjas são animais aquáticos completamente imóveis.


Os poríferos não vivem em colônias.


A água penetra nas esponjas pelos poros.


A reprodução sexuada precisa do gameta feminino e do gameta masculino.


As esponjas são capazes de regenerar a parte perdida do corpo.




Avaliação de Ciências

Os Poríferos

Nome: .................................................................................................... 6ª série

Assinale F ou V:

FRASES
F
V
  1. Os poríferos não vivem em colônias.


  1. A água penetra nas esponjas pelos poros.


  1. Os poríferos possuem uma cavidade central chamada átrio.


  1. A reprodução sexuada precisa do gameta feminino e do gameta masculino.


  1. As esponjas são capazes de regenerar a parte perdida do corpo.


  1. A esponjina e a espícula são elementos que compões o esqueleto das esponjas.


  1. As esponjas são animais aquáticos completamente imóveis.


  1. As esponjas são vertebrados.


  1. Os poríferos são animais aquáticos muito primitivos.


  1. Os poríferos possuem espículas.







Avaliação de Ciências

Os Poríferos

Nome: ..................................................................................................... 6ª série

Assinale F ou V:

FRASES
F
V
  1. O óvulo e o espermatozóide são elementos que compões o esqueleto das esponjas.


  1. As esponjas são invertebrados.


  1. Os poríferos são animais terrestres muito primitivos.


  1. Os poríferos possuem capacidade regenerativa.


  1. Os poríferos possuem uma cavidade central chamada ósculo.


  1. As esponjas são animais aquáticos completamente móveis.


  1. Os poríferos vivem em colônias.


  1. A água penetra nas esponjas pelo ósculo.


  1. A reprodução sexuada precisa do gameta esponjina do gameta espícula.


  1. As esponjas não são capazes de regenerar a parte perdida do corpo.




Avaliação de Ciências

Os Poríferos

Nome: .................................................................................................. 6ª série

Assinale F ou V:

FRASES
F
V
  1. Os poríferos vivem em colônias.


  1. A água penetra nas esponjas pela regeneração.


  1. Os poríferos possuem uma cavidade central chamada espícula.


  1. A reprodução sexuada precisa apenas do gameta feminino.


  1. As esponjas não são capazes de regenerar a parte perdida do corpo.


  1. A esponjina e a espícula são elementos que compões o esqueleto das esponjas.


  1. As esponjas são animais aquáticos completamente móveis.


  1. As esponjas são invertebrados.


  1. Os poríferos são animais aéreos muito primitivos.


  1. Os poríferos são apenas hermafroditas.




Classificação dos Seres - Avaliação de Ciências - 6ª serie


Avaliação de Ciências
Classificação dos Seres
Nome: ......................................................................................................6ª série

  1. Você sabe que os seres vivos nascem, crescem, reproduzem-se, envelhecem e morrem. Que nome recebe este conjunto de etapas n vida de um ser vivo?


  1. Todo ser vivo precisa de alimentos. Baseado nisso, escreva embaixo de cada figura se o ser representado é autótrofo ou heterótrofo



___________________ _________________ _________________





_______________________ __________________ _______________

  1. Assinale a alternativa correta:
  1. O conjunto de todos os animais forma:
( ) um reino ( ) um gênero
( ) uma classe ( ) uma família

  1. Os animais de uma só célula são chamados de:
( ) vertebrados ( ) pluricelulares
( ) metazoários ( ) unicelulares

  1. O nome científico do lobo é:
( ) Canis Lupus ( ) canis Lupus
( ) canis lupus ( ) Canis lupus

  1. As classes de animais são formadas por um conjunto de :
( ) ramos ( ) espécies
( ) reinos ( ) ordens












































































Rubem Alves - Pipoca

A Pipoca
Rubem Alves 



A culinária me fascina. De vez em quando eu até me até atrevo a cozinhar. Mas o fato é que sou mais competente com as palavras do que com as panelas.

Por isso tenho mais escrito sobre comidas que cozinhado. Dedico-me a algo que poderia ter o nome de "culinária literária". Já escrevi sobre as mais variadas entidades do mundo da cozinha: cebolas, ora-pro-nobis, picadinho de carne com tomate feijão e arroz, bacalhoada, suflês, sopas, churrascos.

Cheguei mesmo a dedicar metade de um livro poético-filosófico a uma meditação sobre o filme A Festa de Babette que é uma celebração da comida como ritual de feitiçaria. Sabedor das minhas limitações e competências, nunca escrevi como chef. Escrevi como filósofo, poeta, psicanalista e teólogo — porque a culinária estimula todas essas funções do pensamento.

As comidas, para mim, são entidades oníricas.

Provocam a minha capacidade de sonhar. Nunca imaginei, entretanto, que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu.

A pipoca, milho mirrado, grãos redondos e duros, me pareceu uma simples molecagem, brincadeira deliciosa, sem dimensões metafísicas ou psicanalíticas. Entretanto, dias atrás, conversando com uma paciente, ela mencionou a pipoca. E algo inesperado na minha mente aconteceu. Minhas idéias começaram a estourar como pipoca. Percebi, então, a relação metafórica entre a pipoca e o ato de pensar. Um bom pensamento nasce como uma pipoca que estoura, de forma inesperada e imprevisível.

A pipoca se revelou a mim, então, como um extraordinário objeto poético. Poético porque, ao pensar nelas, as pipocas, meu pensamento se pôs a dar estouros e pulos como aqueles das pipocas dentro de uma panela. Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A pipoca tem sentido religioso? Pois tem.

Para os cristãos, religiosos são o pão e o vinho, que simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, a mistura de vida e alegria (porque vida, só vida, sem alegria, não é vida...). Pão e vinho devem ser bebidos juntos. Vida e alegria devem existir juntas.

Lembrei-me, então, de lição que aprendi com a Mãe Stella, sábia poderosa do Candomblé baiano: que a pipoca é a comida sagrada do Candomblé...

A pipoca é um milho mirrado, subdesenvolvido.

Fosse eu agricultor ignorante, e se no meio dos meus milhos graúdos aparecessem aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e trataria de me livrar delas. Pois o fato é que, sob o ponto de vista de tamanho, os milhos da pipoca não podem competir com os milhos normais. Não sei como isso aconteceu, mas o fato é que houve alguém que teve a idéia de debulhar as espigas e colocá-las numa panela sobre o fogo, esperando que assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos.

Havendo fracassado a experiência com água, tentou a gordura. O que aconteceu, ninguém jamais poderia ter imaginado.

Repentinamente os grãos começaram a estourar, saltavam da panela com uma enorme barulheira. Mas o extraordinário era o que acontecia com eles: os grãos duros quebra-dentes se transformavam em flores brancas e macias que até as crianças podiam comer. O estouro das pipocas se transformou, então, de uma simples operação culinária, em uma festa, brincadeira, molecagem, para os risos de todos, especialmente as crianças. É muito divertido ver o estouro das pipocas!

E o que é que isso tem a ver com o Candomblé? É que a transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação porque devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa — voltar a ser crianças! Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo.

Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre.

Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosa. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.

Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depressão — sofrimentos cujas causas ignoramos.Há sempre o recurso aos remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação.

Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: PUF!! — e ela aparece como outra coisa, completamente diferente, que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do casulo como borboleta voante.

Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está representado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é o estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro.

"Morre e transforma-te!" — dizia Goethe.

Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando sobre os piruás com os paulistas, descobri que eles ignoram o que seja. Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha, que piruá é palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a me valer do Aurélio para confirmar o meu conhecimento da língua. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar.

Meu amigo William, extraordinário professor pesquisador da Unicamp, especializou-se em milhos, e desvendou cientificamente o assombro do estouro da pipoca. Com certeza ele tem uma explicação científica para os piruás. Mas, no mundo da poesia, as explicações científicas não valem.

Por exemplo: em Minas "piruá" é o nome que se dá às mulheres que não conseguiram casar. Minha prima, passada dos quarenta, lamentava: "Fiquei piruá!" Mas acho que o poder metafórico dos piruás é maior.

Piruás são aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem.

Ignoram o dito de Jesus: "Quem preservar a sua vida perdê-la-á".A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo a panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo.

Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira...

"Nunca imaginei que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu".


O texto acima foi extraído do jornal "Correio Popular", de Campinas (SP), onde o escritor mantém coluna bissemanal.

*** 
(texto enviado pela Cris)